Informação: bem fundamental para o exercício da cidadania

Por Júlia Reis

Em uma era conturbada, política e socialmente, parece ser necessário falar sobre os direitos e deveres que, ainda, regem a população brasileira. Enquanto o cenário se apresenta descaradamente desfavorável nos mais variados setores da sociedade, a desinformação pode ser uma das maiores vilãs dos cidadãos, que, muitas vezes, discutem, pasmos, sobre a difícil situação em que se encontram.

Com tantas incertezas, os brasileiros precisam de um estímulo para mover as engrenagens do pensamento crítico e saber lutar por aquilo que é, ou deveria ser, estabelecido constitucionalmente e que, mesmo assim, nem sempre é exercido na prática. É preciso não se deixar levar pelo conformismo nem proferir falas do tipo “Não tem jeito, isso aqui é o Brasil”. Reclamações unidas à acomodação não irão melhorar o contexto insatisfatório. Na Grécia Antiga, o filósofo Aristóteles já havia considerado que o cidadão é aquele que tem uma participação efetiva no Estado.

A chave para modificar este quadro é a informação. Ao vivenciar uma realidade injusta, a busca por conhecimentos pode ser o caminho para sair do escuro que a falta de respostas ocasiona. Saber exercer a cidadania, saber quando estão violando seus direitos e saber como cumprir com seus deveres são a solução para salvar uma sociedade adoecida. Entretanto, os problemas já iniciam neste ponto: os saberes. Os alunos da rede pública de ensino se deparam com um total descaso, o que gera uma defasagem prejudicial à concepção de quais direitos fundamentais devem ser ofertados e como devem se manter comprometidos com seus deveres.

Se o sistema educacional está debilitado, a saúde pede socorro. A falta de material hospitalar, a demora para realização de cirurgias e o escasso acesso aos tratamentos adequados estão entre as péssimas circunstâncias a que os pacientes que dependem das unidades públicas são submetidos. Enquanto as condições da educação são desastrosamente impróprias, a população ainda sofre com a cruel falta de segurança, principalmente nos grandes centros urbanos do Brasil, que apresentam índices alarmantes de violência.

Todos esses exemplos evidenciam que os serviços básicos não estão sendo oferecidos de forma adequada. Além disso, com o advento da cibercultura, devem ser considerados os direitos e deveres que são postos em xeque com o grande fluxo de informações que circulam no ambiente online e como isto promove a liberdade de expressão e, consequentemente, dá voz à diversidade. Por outro lado, as publicações virtuais trazem consigo a possibilidade de disseminação de fake news, fenômeno que propaga o afastamento do real e distrai as pessoas de temas que de fato deveriam ser debatidos, fazendo com que os indivíduos deixem de ter conhecimento sobre sua realidade.

O ponto crucial é a compreensão de que para construir uma sociedade mais igualitária e justa, uma prerrogativa essencial é a participação dos cidadãos, com bases éticas e respeito aos valores e à moral, para garantia de uma realidade em que todos tenham informações e estejam conscientes de seus direitos e deveres. Brasileiros que lutam por  seus direitos e que, assim como a maioria, enfrentam diariamente os obstáculos e desafios de viver no Brasil, fazem refletir sobre aquilo que uma banda de rock nacional dos anos 80 já se perguntava: “Que país é esse?”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s